ILHA DA MAGIA

Sônia Schmorantz

Epigrama n° 1

Pousa sobre esses espetáculos infatigáveis
uma sonora ou silenciosa canção:
flor do espírito, desinteressada e efêmera.

Por ela, os homens te conhecerão:
por ela, os tempos versáteis saberão
que o mundo ficou mais belo, ainda que inutilmente,
quando por ele andou teu coração.

Cecília Meireles

25/07/2010 Posted by | Uncategorized | 4 Comentários

Remanso

Cismo a paz no silêncio do jardim,
apenas quebrado pelo chilrear de pássaros,
remanso da tarde que passa como brisa,
leve e cristalina, em paz comigo mesma.
A vida vai seguindo seu rumo,
segue este remanso lento, como rio
que corre sempre para o mar.
Vai na força da vida, amansando o coração,
como água que encharca a terra,
como asa veloz que atravessa o céu,
sem ruído, desfazendo-se em laços,
na nua aurora que cobre o poente.
Do remanso nascem as palavras,
tal como pássaros, nascem aladas,
aprendendo a voar em busca de sonhos,
falam da cor da flor, do gosto do amor,
numa rima vadia lanceada de ternura,
um poema ainda não dito a tecer vagas
incessantes de memórias de quem habita
entre o ontem e o amanhã de um dia iluminado,
luz indulgente que alumia a porta entreaberta
da poesia.

Sônia Schmorantz

28/06/2010 Posted by | Uncategorized | 2 Comentários

Um breve olhar


Lá em cima, no ar
Sobre a monotonia destas casas
Sulcando, sereníssimas, os céus,
Abrem a larga rima das suas asas,
Lenços brancos do azul, dizendo adeus
Ao vento e ao mar.

Eu fico a vê-las
E meus olhos, de as verem, vão partindo
E fugindo com elas;
E a segui-las eu penso,
Enquanto o olhar no azul se espraia e prega,
Que há uma graça, que há um sonho imenso
Em tudo o que flutua e que navega…

Para onde se desterram as gaivotas,
Contra o vento vogando, altas e belas,
Essas voantes e pairantes frotas,
Essas vivas e alvas caravelas?

Vão para longe… E lá desaparecem,
Ao largo, por detrás do monte;
E os nossos olhos olham e entristecem
Com as vagas saudades que merecem
As coisas que se somem no horizonte!

Afonso Lopes Vieira


17/06/2010 Posted by | Uncategorized | 4 Comentários

Rios do tempo

A sisudez do tempo não esconde o cansaço,

o desassossego da alma, mas

o lamento das coisas dissolve-se em lembranças,

que ainda guardam a limpidez das águas da infância,

reparando conquistas e derrotas ao redor dos dias.

Memória serena como a dos rios

que seguem eterna viagem para o mar,

mar que também é pura vivência,

sentinela de sonhos,

a guardar os segredos do vento.

Rio e mar são preces a decantar o tempo,

na vigília da memória e das trilhas percorridas,

um ofício íntimo a experimentar maturidades,

que fio por fio vai tecendo um poema de vida.

Não há pranto que aqui se demore,

assim como não há felicidade perene,

mas a vida é assim, esta água cristalina

a escorrer no leito dos rios,

lavando as ruínas deixadas pelo caminho,

espelhando amor de diferentes quimeras.

Sônia Schmorantz

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Brenda Lee – I\’m sorry

26/05/2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

Vago Poema

Cheirando à areia e sal,
sou gaivota a sobrevoar o mar.
Sou mistério neste vazio,
Sou o tranquilo vôo das aves,
rumo à linha oscilante, mar e maresia.
Enquanto o vento no areal vai passando,
como as marcas desenhadas na areia,
somem as palavras da lembrança,
como rastros na maré cheia.
Íntima idéia, clara no pensamento,
que se perde em devaneios, e
na latência deste silêncio,
me alimento da poesia alheia.

Sônia Schmorantz

23/05/2010 Posted by | Uncategorized | 7 Comentários

Pensando na vida…

Passeando por entre as pessoas,
aleatoriamente pensando na vida,
de vez em quando o som de violão de algum bar,
lembra da alegria tão inocente de viver…
A onda vem lamber a areia, então brinco com ela…
No seu vai e vem ruidoso,
a onda estoura e brilha ao sol
deixando a areia cheia de pontos dourados…
A emoção única das ondas…
ah… estas ondas que vão apagar os rastros que
ficam na areia, numa eterna renovação de tudo.
Ondas como sonhos que se fazem e se desfazem,
que apaixonadamente tem sua própria liberdade.
Andando na areia molhada, as ondas acariciam meus pés com sua
espuma, solto os cabelos ao vento…
fecho os olhos para sentir a brisa que vem do mar.
Amo a imagem deste mar, amo este caminho dourado da areia nos pés…
Pensamentos livres, pés molhados, coração descansado,
sigo em frente, no suave caminho das ondas
hoje, amanhã, depois de amanhã….
percorrendo o mesmo caminho apaixonado
na mesma tonalidade azul…

Sônia Schmorantz

15/05/2010 Posted by | Uncategorized | 5 Comentários

Tardes de Maio

Nas tardes de Maio as horas circulam pela nossa vida como o vento circula pelas montanhas, arremessando coisas, suavizando outras, às vezes refrescando o dia, denunciando temores ou realçando a beleza, tudo sem que se veja, mas sentindo-se plenamente.
As horas passam pela nossa vida e difícil mesmo é colher delas a verdadeira dimensão, saber o quanto são únicas.
As tardes de maio morrem devagar sobre o olhar sereno, como deveriam ser todas as mortes.
Na doçura da tarde, os pássaros de inverno bordam as direções do olhar, dispersando
aqui e ali as melhores intenções sobre o que deverá ser a felicidade ou a liberdade servida ao ritmo natural das estações.
Como num tecido muito artesanal, as tardes de maio bordam o dia no coração,
na esperança de ter algo melhor para ser ou oferecer ao instante seguinte,
nesse maravilhoso mistério da vida.

Sônia Schmorantz

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BARON LONGFELLOW_Amour

05/05/2010 Posted by | Uncategorized | 9 Comentários

“É preciso olhar para o céu e perceber,
o quanto se é pequeno diante da imensidão.
Só assim o ser humano pode ser mais digno diante do outro.”

Oscar Niemeyer

03/05/2010 Posted by | Uncategorized | 3 Comentários

Poesia da Natureza

Não há palavras que cantem

como as ondas quando batem nos rochedos,

borbulhando azuis no verde sem fim da mata que o cerca.

Não há palavras que possam

dizer deste infinito azul que enche os olhos,

paz na contemplação,

sonhos  espalhados ao vento e ao mar,

conchinhas e segredos na areia,

barcos solitários em baias azuis,

felicidade sem motivo,

coração sereno,

amo este mar!

02/05/2010 Posted by | Uncategorized | 7 Comentários

Chuva de amor

Quando digo em segredo que te quero,
e um sorriso doce me encanta,
sou como o arco-íris na chuva ,
garoa fina que toca a pele,
gota singela a percorrer sem rumo,
como as gotas da chuva na janela.
Meu amor adormece aquecido,
chuva fria fica lá fora,
goteiras fazem serenata,
com o cinza da saudade.
Aqui dentro faz calor,
não existe tempestade,
chuva fria fica na calçada,
aqui dois braços abertos
e um sorriso me esperam.
Com licença,
o amor me chama.

Sônia Schmorantz

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Rainy Day

23/04/2010 Posted by | Uncategorized | 8 Comentários

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